

Pedi um mote para minha coluna. Recebi algumas sugestões. Refutei todas. A seguir, li a seguinte frase: “Ah, Dani. Fala sobre o perfume das rosas. As pessoas precisam saber que você é boazinha também”.
Entre o parágrafo anterior e este, demorei quase quinze minutos tentando ser boazinha. Na verdade, me perguntando: o que é “ser boazinha”? Ainda não tenho a resposta, mas talvez tenha conseguido formular uma vaga concepção, graças à minha infância saudável e a minha mente um tanto quanto criativa.
Decidi hoje, então ignorar tudo o que vem acontecendo em Feiraland. Ignoro a dengue, a campanha da dengue e os agentes de combate à dengue que viraram motoristas. No ensejo, ignoro a secretária que não consegue provar a inocência e não larga o osso; ignoro um outdoor, no caminho da minha casa que vende uma lagoa; deixo pra lá também a postura coerente de Eduardo Leite, o meu louco preferido. Ainda na saúde, viro macaquinha que não vê a única UTI do Clériston ser utilizada em uma festa particular, que insistem em dizer que é pública.
Lá, em algum lugar distante, finjo que não ouço despautérios hipócritas em nome da ética, quando, no entanto, os reais motivos da verborragia transitam entre baixa auto-estima e desequilíbrio emocional. Desistirei de tentar falar sobre alguns outros temas antes que comece a falar deles.
Pronto. Terminarei minha coluna de hoje afirmando: as rosas realmente têm um perfume maravilhoso!
No mais, deixo minha Cruela Devil no armário e uso a indumentária da Cinderela.
Por quê Cinderela? Ora! Um sapato na mão, às vezes, é mais útil do que dois nos pés. Mesmo que seja um número 35, como o meu. É o que certamente diria Muntadher al-Zaidi1.
1Muntadher é aquele jornalista iraquiano que pegou três anos de prisão por jogar um sapato na cara do Bush. Vale ressaltar que jogar o sapato em alguém é uma das maiores ofensas entre os iraquianos.
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