

Ao longo da minha já não tão curta vida, concluo que existem dois princípios básicos que regem a vida do indivíduo e, conseqüentemente, sua vida em sociedade: família e religião. Não falo da fé burra, intolerante e muito menos do Cristo rechaçado por pregoeiros e membros de eclésias, nem falo sobre o padrão norte-americano de família que só existe nas comédias água com açúcar de Hollywood. O tema aqui está longe disso. Falemos de princípios.
Ainda me lembro da minha querida mãe com a pedagogia do amor, entre tantas outras lições, me ensinando que não deveríamos usurpar o que não nos pertence. “Filha, não pegue o que não é seu”, repreendia-me amorosamente. Tenho certeza que muitos leitores aqui tiveram praticamente um Dejá vu, já que aquele famoso ditado popular é verdadeiríssimo: Mãe é tudo igual!
E a fé? Ora...seja ela no que for, fortalece o homem, sua imaginação e, acima de tudo, ensina e guia-o por entre os traiçoeiros vieses da vida. Não falo aqui de uma determinada religião, mas me refiro, novamente, aos princípios.
Não furtarás. Todos nós, sem dúvidas aprendemos este princípio, este mandamento apregoado desde catequeses de bairro até os mais incultos cultos. Roubar, enfim, é pecado. É feio.
Não cabe aqui falar ainda da questão do poder coercitivo que nos inibe de roubar... esse então, como diria Janio Rego, “ valha!”. É sem comentários.
Depois desta breve explanação comum a todos que não nasceram de uma chocadeira ou que já ouviram falar em Cristo, eu me pergunto: o que leva beatos filhos de parto natural a viajarem pelo mundo fazendo uso de dinheiro público? O que adianta trafegar entre a capela e a catedral e logo após embarcarem para Paris ou simplesmente optarem por tomar sol na efervescente Miami?
Incompetência das matriarcas? Duvido. O que falta a estes filhos de boas mães é vergonha na cara, e isso não é ensinado na escola ou no banco da igreja. Este, inclusive, é um pré-requisito que foge à égide matriarcal e é facilmente esquecido numa visita ou Louvre ou ao degustar um croissant.
Quem não quer ir a Paris? Tanto eu quanto dona Mariquinha lá do Caseb queremos! Muito. Porém, não vamos assaltar um banco ou sonegar impostos. Vontade às vezes dá, quando nos deparamos com nossa carga tributária abusiva, quando mensaleiros resolvem preencher o que lhes falta na cueca com dólares... mas, eu e dona Mariquinha sabemos que isso não é correto.
Meu filme preferido é Casablanca. E na cena final, Humphrey Bogart e Ingrid Bergman protagonizam uma cena emblemática a qual rende a inesquecível frase: “Nós sempre teremos Paris”.
Espero que nossos nobres deputados da próxima vez, tentem, no mínimo, ter um terço da dignidade do Rick, personagem de Bogart e saiam à francesa. Ou paguem suas próprias passagens.
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