

Não sou muito fã de modismos. Claro que é impossível não se contaminar com uma tendência aqui, outra ali. Mas moda mesmo, definitivamente, não é a minha praia.
Em Feira de Santana, em alguns segmentos específicos da mídia, existe uma palavra em voga, que quase já virou uma cacofonia na boca de uns tantos que parecem querer transformá-la no ponto forte da estação: ética.
Quem já perdeu um pouco do seu tempo lendo Ética a Nicômaco, de Aristóteles, sabe que ética vai além do que simplesmente é certo ou errado. Ética, verdadeiramente é um reflexo do que somos diante de um universo chamado sociedade.
Será que existe alguém neste vasto mundo de Drummond realmente ético? Aristóteles certamente concluiu que não ou, para alguns, deixou em aberto essa possibilidade de reflexão. Porém, para os “filósofos” de plantão, ser ético é facinho, facinho. E creiam: eles conseguem!
Aristóteles perdeu tanto tempo relacionando felicidade, justiça, razão e desejo para que, talvez, nós não enlouquecêssemos diante da dura tarefa de ser ético. Ele, o grande pensador, que acreditava que a felicidade máxima dos cidadãos compunha o universo ideal deixou claro que ética não deveria ser confundida com a lei. Ou seja: ninguém pode ser obrigado pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, e nem sofrer qualquer punição pela desobediência a estas. Acreditem: não fui eu quem disse isso, foi ele, o sábio Aristóteles, o tio (pai, para alguns) do Nicômaco.
É muito fácil criticar, apontar o dedo e julgar. Isso, qualquer um, de nós, meros mortais, faz. Até os que se dizem éticos, imaginem só.
Acho que estes “papas” confundem ética com moral, que delimita o que é bom e o que é ruim no comportamento dos indivíduos para que exista uma convivência civilizada entre os mesmos. Porém, vale ressaltar que a ética reza sobre o que é mais justo ou menos injusto diante de possíveis escolhas que afetam terceiros. Ou seja: todos os indivíduos são éticos, mesmo que não tenham moral.
Acho eu que depois desse mini-resumo-resumido da diferença do que é ética ou moral, alguns indivíduos olhem para o próprio umbigo e repensem a sua postura enquanto cidadão e, acima de tudo, parem de escrever baboseiras defendendo o indefensável através de teorias conspiratórias vendidas a preço de banana no Feiraguai.
Imitanto descaradamente o estilo Aristotélico, uma pergunta para a reflexão final: se eu, Daniele, tivesse um emprego público na minha área, comunicação, poderia eu, a mesma Daniele, estar em um veículo – ou dois – propagando isenção de pensamento e parcialidade comedida? Será que o Franklin Martins, do Lula, poderia continuar na Rede Globo ou ter um programa de rádio terceirizado o qual criticasse o Bolsa Família, por exemplo? Ele mesmo criticava e ele mesmo escrevia o discurso de defesa do presidente. Nada mais ético, não?
Parafraseando Shakespeare numa versão nada moral: ser ou não ter? É melhor ficar calado.
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