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26/5/2009 15:21:26

“O governo Wagner deixa muito a desejar”, diz Zé Ronaldo

Entre vôos de tucanos e memórias políticas José Ronaldo fala sobre passado, presente e futuro

Fonte: Bahiagora

Destaque

Zé Ronaldo: Se Graça quiser ser candidata a deputada ela tem direito de ser - (Foto: Bahiagora)

Enquanto aguardávamos a chegada do ex-prefeito José Ronaldo para a entrevista, a chuva caia ininterruptamente, fraca, mas melancólica. Ao adentrar a sala onde estávamos, Ronaldo tentou ser simpático, mas o seu semblante estava cinza como o dia. Educadamente cumprimentou a todos e por instantes ficou mudo, olhando para o chão que lhe parecia por demais profundo. De repente, ele confessou: estou até agora pensando como aconteceu este crime, referindo-se à morte do amigo e funcionário público Reginaldo de Almeida Barros, conhecido como Patiú. “Não consigo entender como uma coisa dessas aconteceu”, disse revelando um mundo de interrogações.

Aos poucos o político José Ronaldo foi aparecendo. Deslocou-se de uma ponta a outra do sofá o qual estava sentado, para que ficasse mais próximo do gravador e dos entrevistadores. De fala calma, marcada, só perdeu o tom quando falou do governador Jaques Wagner. Perspicaz, negou-se a responder duas perguntas feitas e, no final, mostrou que nem pensa em abandonar a política.


Bahiagora: Após 27 anos interruptos com mandato, como vem sendo esses 5 meses de “férias”?


José Ronaldo: Se contar vida pública com mandato a primeira eleição foi em 1982, portanto são 27 anos.  Mas, como antes de ter mandato eu fui dirigente partidário, desde 1976 eu atuo na política. Fui secretário e logo depois presidente do PDS em Feira de Santana. Nesses cinco meses que você chamou de férias eu tive folga 15 dias, que foram esses dias que eu viajei (citando a viagem aos EUA). Os demais dias eu não tive férias, pois trabalhei todos os dias, folgando apenas alguns domingos. Até janeiro que eu planejei descansar 30 dias na praia, atravessei a Baia de Todos os Santos no mínimo duas vezes na semana para participar da eleição na UPB.

Bahiagora: De certa forma então, o senhor continua exercendo um “mandato”...

JR:  Exercendo mandato não, mas continuo na vida pública ativamente.    

Bahiagora: Explique melhor...

Olha eu ando muito, tenho feito muitas visitas a amigos e companheiros, pessoas que com mandato de prefeito eu não tinha tempo de visitar, só falava por telefone e agora tenho tido mais tempo para fazer isso.  Tenho atendido no escritório, participado de reuniões políticas, viajando pela Bahia, feito palestras e seminários. Dois dias por semana eu fico no partido em Salvador, e lá eu mantenho contato com deputados, prefeitos e pessoas que pretendem ser candidatos em 2010, inclusive postulantes ao senado e ao governo do estado, enfim, a agenda esta repleta e se ficou repleta nesse primeiro semestre eu acredito que no segundo vai ser muito mais repleta ainda.

Bahiagora: O senhor considera então que está em campanha.... 

JR: Eu considero firmemente que estou mantendo a minha vida política ativa, campanha não. Campanha é quando a gente fala, pede voto, discursa no sentido político e muitas dessas coisas que a gente tem conversado, embora todo pronunciamento que você faz tenha um conteúdo político, mas não é um conteúdo político partidário e sim político dentro da natureza política. 

Bahiagora: Como o senhor avalia o governo Wagner? 

JR: (Pausa para respirar e tomar café) Não vou falar isso com objetivo de critica porque somos adversários políticos. É um governo que praticamente não existe. Wagner não se preocupou em compor uma equipe de governo, ele se preocupou exclusivamente com o campo político. Num ano como este que ele anunciou que seria o ano da gestão, ora, qual foi a ação de gestão que teve nesse ano? Nenhuma, nenhuma.  E quando ele disse isso já existia no país e no mundo a crise. O que é que eu entendo no governo Wagner. Eu acho que ele errou tanto no planejamento que tirou da secretaria uma pessoa a qual ele fazia rasgados elogios e de repente ele tira essa pessoa e traz um deputado federal. E o que se fala é que esse deputado deixa a secretaria no mês de março, portanto fica apenas 1 ano no cargo. Ora você fica 2 anos com um secretário, depois tira sob alegação que estava faltando planejamento e coloca um substituto que vai ficar apenas 1 ano, onde é que vai existir planejamento? Planejamento todo mundo que estuda e aprende sabe que nunca é de curto prazo, então quando é que vai ter esse planejamento, no ano eleitoral, no ano da eleição? O mesmo acontece com a secretaria de justiça, tira-se uma pessoa reconhecidamente competente para colocar um deputado federal que no dia da posse já avisou que se afasta em março de 2010. Agora esta secretaria, preste atenção nesses dados, de janeiro a abril desde ano, gastou do orçamento, na rubrica investimento, que é reforma e manutenção de presídios, dentre outras coisas, gastou 0,6% dos recursos disponíveis. Ou seja, não gastou nem 1%. Isso é realmente preocupante. O órgão executor do estado, a Conder é outro problema. A ex-diretora, Maria Del Carmen tomou conhecimento da sua demissão por um site e o secretário confirmou que não avisou por falta de tempo. Bom, veja é o órgão executor das obras do estado. Se você fizer uma viagem na região de Feira; São Gonçalo, Serrinha, Conceição da Feira, Amélia Rodrigues, dentre outras, vai ver que fora obras do PAC, que é do governo federal, você não vai achar nenhuma obra do governo estadual, nenhuma.  E tem mais, eu conheço obras que tem 8 meses paralisadas porque não se pagava 1 centavo. Uma moça me parou na rua ontem, aqui em Feira de Santana, para me perguntar se a DIREC vai pagar o trabalho da matricula que até hoje não foi pago. Outra coisa, pode-se até contestar que a educação não foi bem tratada no governo anterior, mas todos os governos que passaram pela Bahia construíram escola, os colégios Modelo Luis Eduardo são mais de 10. A informação que eu tenho é que nesse governo nenhuma escola foi construída. Escola licitada e construída no governo Wagner não existe. Wagner foi ao município de Itiúba, em um povoado chamado Rômulo Campos, durante a campanha de prefeito e inaugurou uma escola que quando ele assumiu a escola estava pronta. E assim com em Itiuba na região sisaleira teve vários casos desse. Então, o que é que a gente vê na Bahia. Um governador que teve muito apoio de Lula e não está sabendo gerenciar isso. Em resumo eu acho que o governo Wagner deixa muito a desejar. A segurança pública então nem se fala...piorou e muito. O resultado disso você nota nas pesquisas, a ultima deu Wagner com apenas 38% enquanto Paulo Souto no mesmo período tinha 68%.

Bahiagora: E o senhor ainda acredita em pesquisa depois da eleição de 2006?

JR: Político e ser humano que não acredita em pesquisa quer tapar o sol com a peneira. Se você olhar as pesquisas feitas no mundo político em todo mundo 99% estão certas. No Brasil nas eleições de 2006 as pesquisas só erraram na Bahia, o que eu acho que não foi erro.

Bahiagora: O que o senhor acha que foi...

JR: É simples, a pesquisa é o momento. No caso da eleição do governo, o Lula está otimamente bem, e eu acho, sem fazer criticas a ninguém que o marqueteiro que tava conduzindo a campanha  de Paulo Souto não tenha enxergado que naquele momento não deveria bater em Lula. O PT fez uma maçante campanha “vote 13”,  que nos 15 últimos dia da campanha fez com que as pessoas votassem nos candidatos de Lula e aconteceu aquela reviravolta, portanto eu acho que não foi erro da pesquisa.

Bahiagora: Então foi conselho do senhor usar essa estratégia de não “bater” em Lula na campanha de prefeito em 2008? 

JR:  Não vou dizer que foi estratégia minha, mas temos pessoas que trabalharam na campanha que fizeram isso, e talvez tenha sido utilizado pelos adversários porque ninguém bateu em Zé Ronaldo.

Bahiagora: Por que o senhor não costumava receber Wagner em Feira quando prefeito?

JR: Recebi, fui em solenidades, e estive com ele algumas vezes. Depois em outro evento, na minha presença ele fez comentários que eu considerei inadequados para o momento. Posteriormente em outra vinda dele a cidade eu recebi o convite poucas horas do evento, então eu entendi que não queriam minha presença. Que tinham mandado o convide apenas por questão institucional, mas solicitei ao meu vice-prefeito Antonio Carlos Borges Jr. que representasse o município.

Bahiagora: Acredita em uma aproximação de Tarcízio com Wagner e Zé Neto?

JR: Quanto aos comentários de aproximação de Tarcízio e Wagner, o prefeito nunca me tratou desse assunto,não acredito nisso, não vejo nem fumaça nesse tipo de assunto. Quando a cumprimentar o deputado Zé Neto e vice versa isso é perfeitamente normal. No meu period de governo, com o deputado Zé Neto nós levamos algum tempo sem nos cumprimentar, não pelo segundo mandato, muito mais pelo primeiro mandato por entender que o deputado fazia pronunciamentos muito mais pessoalmente do que politicamente. Vou contar uma história que nunca contei. 

Eu era político em Feira de Santana e Colbert Martins “pai” também. Nós chegamos a conviver um pouco no início da minha vida política. Ele como diretor da Surfeira e eu como servidor público. Eu já andava nos meios políticos, bem jovem. Logo em seguida eu me elegi vereador e logo após deputado, assim como Colbert Martins. Nós chegávamos na assembléia e não nos cumprimentávamos pela rivalidade da política local. Um dia, em meu gabinete, recebi a visita do mensageiro do então deputado, dando o segundo recado: “Ronaldo, Colbert disse que queria acabar com essa frieza que existe entre vocês dois. Ele disse que às vezes você está fazendo um discurso e ele quer fazer um aparte, mas não faz, e vice-versa.” Eu disse que não via problema nenhum em ter esta conversa. Pedi licença as pessoas que estavam em meu gabinete e me dirigi ao de Colbert, que ficava logo ao lado do plenário. Nós conversamos e ambos ficaram satisfeitos com a situação. Posso lhe afirmar que daí por diante surgiu muito respeito mútuo entre nós. Não fomso companheiros de luta, mas passamos a nos respeitar muito bem.  Existiu inclusive uma eleição que no segundo turno votei no candidato apoiado por ele e em outra eleição de governador, ele também me ajudou. Mas sempre respeitando um ao outro. Isso foi uma coisa que marcou a minha vida. Aprendi muito naquele momento.

Bahiagora: E a relação com Colbert Filho? Como é?

JR: Sempre foi uma relação de adversários, não de inimigos. Eu por exemplo nunca ouvi de Colbert Filho que me atingisse como pessoa e também ele nunca ouviu nada semelhante de mim. Temos mais divergências político- partidárias que outras coisas.

Bahiagora: Geddel, o Democratas e o PMDB têm demonstrado afinidades. Pode surgir daí uma nova aliança que inclusive acabe com estas divergências políticas entre o senhor e Colbert Martins?

JR: Eu sabia que você ia perguntar isso (risos). A política mudou muito. O diálogo e a conversa dentro da política são muito fortes. Acabou aquela “conversa” de esquerda e direita. Quando você imaginaria quem dia que um candidato do PC do B estaria coligado com outro do Democratas? Essa questão de entedimento político entre Geddel, PMDB, PSDB é um momento rico que está se vivendo na Bahia. Acredito que com o passar do tempo isso vai se intensificar cada vez mais. Pra você ter uma idéia, para a eleição de Tarcízio Pimenta nós, o grupo político não fez menos de 15 reuniões...

Bahiagora: Pra escolher o candidato?

JR: Pra escolher o candidato.

Bahiagora: Já existiu alguma reunião para se discutir um nome para o governo do estado?

JR: Reunião, para escolher um candidato a governador, não. Mas, reuniões para discutir o processo de formação da chapa majoritária de 2010 tem muitas. Muitas mesmo.

Bahiagora: É reunião do DEM ou do DEM com o PMDB e outros partidos?

JR: Se você for mais claro e perguntar: você já conversou política com Geddel? Eu responderia: já. Você já sentou com Jutahy Magalhães pra discutir política? Já. E com outros partidos? Já. São conversas políticas, democráticas, de respeito mútuo.

Bahiagora: Seria absurdo pensar na união de Colbert Martins e José Ronaldo em prol de um candidato?

JR: Se eu sou democrata e ele PMDB, e acontecer uma união desses dois partidos o que vamos fazer? Ele é candidato a reeleição. Eu ainda não sei a que em candidatarei. O que pode acontecer entre nós, só Deus sabe. Mas esse processo não é impossível. Depende de todas estas conversas que andamos tendo.

Bahiagora: Seu nome está disponível para o governo do estado ou para vice-governador?

JR: Sim.

Bahiagora: Pelo Democratas?


JR: O DEM é o partido que eu estou filiado. Existe um diálogo muito forte com o PSDB. Me dou muito bem com Jutahy (Magalhães) (Antônio) Imbassahy e João Almeida que são expoentes do partido. Conheço a maioria das pessoas do diretório do partido...  Existe uma definição nacional de coligação entre os partidos e existe muita gente na Bahia que deseja isso (que Ronaldo migre para o PSDB). A possibilidade existe, mas também pode não acontecer.

Bahiagora: O que está pesando na balança para essa decisão?

JR: As coisas não devem ser feitas com tanta pressa. Nem também devagar demais... digamos que estou procurando um meio termo.

Bahiagora: São as propostas de cargo que os partidos oferecem que influenciam na sua decisão?

JR: Velame, eu não sou empecilho pra estes fechamentos. Desejo ser candidato, estou trabalhando e lutando pra isso. A questão não é Zé Ronaldo. Eu tenho amizade e respeito por este grupo. Nós estamos dialogando. Temos reuniões quinzenais com deputados estaduais, federais... isso não é uma coisa comum...

Bahiagora: O senhor que dizer então que antigamente tudo era decidido por uma pessoa só?

JR: Por uma pessoa só, não. Sei que você se refere ao senador Antônio Carlos Magalhães.  Inegavelmente ele era um líder muito forte. Ele mesmo reunia, conversava e pedia opinião até mesmo a mim. A diferença é que as reuniões não eram tão freqüentes.

Bahiagora: Existe a possibilidade da chapa João (Henrique) e José (Ronaldo) ser concretizada?

JR: Li isso no Bahiagora (risos). É uma chapa com dois nomes muito simples (risos). Mas, não tem essa questão não. O fato de JH ter vindo a Feira de Santana e o partido (DEM) ter apoiado sua candidatura não diz muito. E também ele acabou de ser reeleito..não sou favorável a esta renúncia com tão pouco tempo. Por isso eu não vejo esta chapa. Já me falaram de tantas... e não posso negar a vocês que isso me deixa feliz.

Bahiagora: Para quem foi líder por tanto tempo, um cargo de vice (governador) apetece?

JR: Quando você está em uma atividade pública você tem que deixar de lado a vaidade. Vou contar uma história a vocês. Teve um ano que o doutor Zé Falcão era candidato a prefeito e eu era deputado estadual. Ele me chamou ao gabinete dele e eu fui com Noide Cerqueira. Ele me convidou para ser candidato a prefeito. Foi a primeira vez que eu ouvi de um ser humano algo sobre eu ser prefeito de Feira. Eu bebi água. Cheguei a Feira adolescente. Nunca imaginei que um menino pobre fosse convidado para isso. Foi um fato que me marcou. Eu pedi a ele um tempo para pensar. Lembro de tudo.  Fui a um município do interior da Bahia. Passei o final de semana e voltei na segunda. Fui direto para a casa dele. Falcão perguntou: veio me dar a noticia. Respondi que sim. Agradeci o convite e disse que não poderia aceitá-lo porque ainda não estava preparado. Ele ainda insistiu, mas eu sei que foi o melhor a ser feito. Depois de dois dias sem conseguir dormir, naquela noite tive um sono tranqüilo. Em 1996 eu sofri muita pressão pra ser candidato a prefeito. Muita. E eu não fui. Inclusive o então senador ACM conversou comigo várias vezes, mas eu não fui. Apoiei a candidatura de Josué Mello. Se eu tivesse vaidade, na primeira oportunidade eu teria abraçado o convite. Neste momento, o meu desejo é ver uma união de alguns partidos políticos e seu filiado s e candidatos numa chapa composta de deputado federal, estadual, governador e presidente da república. O que busco neste momento é isso. Se o meu nome compõe bem nessa chapa não vou ter vaidade nisso ou naquilo outro. Serei apenas um companheiro nessa composição. A única coisa que posso lhe dizer sem vaidade é que por onde eu tenho passado recebo muito estímulo.

Bahiagora: O senhor acredita de Dilma Roussef será a sucessora de Lula?
JR: No quadro atual eu apóio Serra. O meu desejo é votar em Serra. Eu acredito que essa eleição será mais disputada e melhor de se fazer do que a de Lula e Alckmin. Vejo plenas condições para ela (Dilma) ser candidata, mas evidentemente vou trabalhar para que nosso presidente seja Serra.

Bahiagora: Nos últimos dias, várias denúncias oriundas da secretaria de saúde estão diretamente ligadas ao seu governo. O senhor tinha conhecimento do desaparecimento de aparelhos do Hospital da Mulher ou compras exageradas de pulseirinhas de identificação para recém-nascidos, por exemplo?

JR: Eu tomei conhecimento sobre os equipamentos no Bahiagora. Foi o próprio prefeito quem me ligou para avisar da notícia. O assunto morreu ali porque foi comprovado que os equipamentos estavam dentro do hospital...

Bahiagora: Foi aberta uma sindicância...
JR: É bom que seja feita mesmo, está corretíssimo. Todo ato do poder público que suscite uma dúvida, tem que ter uma sindicância. Fizemos várias delas e deram resultados. Quero dizer que quanto às pulseirinhas existe só no Hospital da Mulher e no Hospital da Criança (que junto com o CMDI, Clínica de Combate ao Câncer fazem parte da Fundação Hospitalar) mais de dois mil itens de compras. Esta licitação, ao que me parece é o que foi feito, mas não tenho certeza já que soube do fato através da notícia que li, adquiriu mais 250 itens e que participaram mais de trinta empresas em um pregão nacional e que ao final foi ganha por 22 empresas, pode ter ocorrido um erro de digitação e alguém ter colocado um zero a mais, transformando 20.000 em 200.000. Se isso aconteceu é lamentável e errado, mas a sindicância vai dizer isso.

Bahiagora: Recentemente, o prefeito Tarcízio Pimenta foi alvo de um protesto dos estudantes, que discordam do valor da passagem de ônibus urbano na cidade. Os estudantes inclusive argumentam como uma passagem em Feira pode ter o mesmo preço de uma em Salvador? Se o senhor ainda fosse prefeito, concordaria e aumentaria o valor da passagem?


JR: Quando eu era prefeito, autorizei alguns aumentos e também ocorreram protestos. Esse argumento que não é justo que a passagem de Feira seja igual a de Salvador não cabe. O que necessário analisar nesta questão é que os salários dos motoristas e cobradores em Feira são iguais aos de Salvador. Os custos de manutenção, óleo e pneus são os mesmos.

Bahiagora: O senhor já andou de ônibus em Feira de Santana?

JR: Já.

Bahiagora: Enquanto era prefeito?

JR: Não, não andei. Acho que a qualidade dos ônibus em Feira realmente não é a ideal, mas está no mesmo nível de qualidade da frota em Salvador. Mas em geral, o transporte urbano brasileiro não é bom e,  infelizmente, o governo federal, nunca cuidou disso. 

Bahiagora: Qual a obra que o senhor considera o grande marco da sua administração?

JR: É difícil dizer isso porque cada lugar possui uma necessidade. Já construí posto de saúde onde a população queria deixar de pisar na lama, por exemplo. Mas  posso citar algumas obras como o Hospital da Criança, Parque do Saber, Centro de Educação Complementar, algumas praças, os viadutos inegavelmente....

Bahiagora: E qual deu maior satisfação e prazer realizar sendo prefeito de Feira?

JR: Eu senti muita emoção em vários momentos da minha vida como prefeito. É muito difícil citar um fato só. O Hospital da Criança, por exemplo, me deu muita emoção. O Parque da Cidade... eu caminho no Parque da Cidade! É muito gostoso caminhar ali. O Centro de Educação Complementar também é bacana...

Bahiagora: : A caminhada no Parque da Cidade é por prazer ou recomendação médica?

JR: Quando eu fiz a cirurgia os médicos me recomendaram fazer caminhadas. Então estou com esse hábito. No Parque tem estes dois fatores. O prazer e a necessidade.

Bahiagora: Especula-se que o senhor apoiaria a candidatura do vice-prefeito Paulo Aquino para uma possível candidatura para deputado estadual. O senhor confirma isso?

JR: Nunca, em momento algum nós tivemos esta conversa sobre candidatura. Somos muito amigos. Ele, sem dúvidas, é um rapaz extraordinário. Se eu pudesse dar uma nota a ele, certamente seria dez. Mas, em momento algum conversamos sobre candidatura a deputado estadual. Posso confirmar aqui que tive poucas conversas acerca de candidaturas a deputado estadual e posso inclusive lhe citar os nomes: Fernando Torres, Carlos Geilson, e o vereador Lulinha.

Bahiagora: E a candidatura de Graça Pimenta? O senhor acredita na viabilidade dela?
JR: Olhe, se ela quiser ser candidata a deputada ela tem direito de ser. Agora, ela nunca me tratou deste assunto. Em momento algum os dois nunca me trataram deste assunto. Claro, se ela desejar ser candidata tem todo direito.

Bahiagora:Tem direito e também o seu apoio?
JR: Claro que sim. Graça é uma companheira que eu tenho uma ótima amizade pessoal independente de ser mulher do prefeito. Tenho muito respeito por ela.

Bahiagora: E os demais candidatos? Eles não se sentiriam desprestigiados caso Paulo Aquino e Graça Pimenta se candidatem? Isso não causaria um problema no grupo?

JR: Eu acho que este é um processo político o qual não podemos apontar candidatos. E também não devemos manifestar opiniões sobre pessoas que ainda nem se manifestaram. Que direito eu tenho de falar sobre Graça e Paulo Aquino se eles nunca falaram neste assunto? Você é jornalista, cabe “futucar”. Eu sou político e não posso precipitar um processo desses.

Bahiagora: O senhor vê reais possibilidades de Lulinha ser candidato a deputado  estadual?

JR: Possibilidades existem sim, claro. Ele é um vereador no segundo mandato, um rapaz extremamente ativo, trabalhador. Agora, nós estamos com pré-candidatos. Candidato mesmo, só em junho do ano que vem, quando acontecerá a convenção.

Bahiagora: Ainda falando dos vereadores, como o senhor avalia a atual legislatura?

JR: Se você olhar o início da legislatura de 2000, vocês vão ver que foi igual a atual, assim como também aconteceu em 2005. Estas são períodos de aclimatação, aprendizado... e só se aprende ali dentro.

Bahiagora: O senhor então está satisfeito com a postura dos vereadores da bancada governista?

JR: Sim, estou.

Bahiagora: Muitos tratam o seu escritório político como “prefeitura paralela”, inclusive aliados políticos. O senhor influencia de qualquer maneira o que de fato ocorre na Prefeitura Municipal ou já se conformou com o fato de ser ex-prefeito?

JR: Quando eu saí da prefeitura já saí devidamente preparado para ser ex-prefeito. Na própria campanha política, eu sempre dizia a Tarcízio: “quando você assumir no dia primeiro, de tarde você não vai nem me enxergar”...

Bahiagora: Naturalmente isso não aconteceu...

JR: Aconteceu. Durante trinta dias, nós encontramos apenas no dia das eleições da UPB, no final de janeiro. Avisei também que na micareta eu iria “escapulir”. Esse negócio de prefeitura eu nem lembro. Quanto ao escritório, sempre realizei este atendimento próximo à minha casa. Ainda continuo atendendo lá. Hoje, também tenho um escritório no local que batizaram como Limão Drinks. Mas essa história de prefeitura paralela nunca ouvi de companheiros, só da oposição. Isso é característico da oposição. Porém, todos que vão lá vêem e ouvem que ali não se trata de assuntos de prefeitura. Eu sempre soube respeitar a autoridade constituída. Não é agora que eu vou desrespeitá-la.

Bahiagora: Como o senhor avalia o início do governo Tarcízio Pimenta? Esta correspondendo as expectativas do terceiro mandato?

JR: Esta correspondendo as expectativas de um governo. Acho que Tarcízio está fazendo um bom governo. O que eu dizia que ele seria um homem trabalhador está acontecendo. Ele é extremamente trabalhador. Se olharmos pra Vitória da Conquista comparado a Feira. Mas não vamos nos conformar com cidades aqui. Vamos avaliar cidades de igual porte em outras regiões do país. Feira, certamente, vem executando mais ações. Estou muito satisfeito com o governo que o prefeito Tarcízio Pimenta desempenha.

Bahiagora: O senhor não teria feito nada diferente?

JR: Não. Eu acho que dentro desse processo de continuísmo (pausa), dentro de um mesmo grupo, ele não fez nada que eu não teria feito.

Bahiagora: Então o mote de terceiro mandato é uma realidade?

JR: Não. Por mais que eu e Tarcizio no passado tínhamos a nossas divergências, sempre era no campo político, e nunca no pessoal. Acho que companheiros convivem muito e isso é absolutamente normal. Por exemplo: ele implantou um serviço de digitalização nos postos de saúde. Eu acho isso correto...

Bahiagora: Isso já foi algo que o senhor já deixou encaminhado?

JR:Não. Isso faz parte de coisas que já se discutia, tanto que foi um compromisso de campanha dele. Ele está cumprindo este compromisso.

Bahiagora: Na última entrevista dada pelo prefeito Tarcízio Pimenta ao Portal Bahiagora foi especulado sobre sua saída para o PSDB. O atual prefeito foi claro e firme em dizer que não existe nenhuma possibilidade de acompanhá-lo nesta nova empreitada. Como o senhor avalia este posicionamento?

JR: Eu vejo de forma natural. Se por ventura acontecer mesmo essa história de PSDB, mesmo que ele queira migrar, não pode. Ele exerce um mandato do partido. Eu posso porque não tenho mandato. Mas, se eu fosse ele, mesmo que pudesse, ficaria onde ele está: no partido.

Bahiagora: O senhor pontuou o governo atual como bom. Mas houve um problema na educação que repercutiu em toda mídia: a falta de merenda escolar nas escolas públicas municipais. Isso já aconteceu no seu governo?

JR: Você e sua pergunta maldosa (risos). Deixa essa pergunta de fora (risos). Mas Tarcízio não tem nenhuma culpa disso.

Bahiagora: E de quem é a culpa?

JR: Deixe isso pra lá... não me bote em saia justa.

Bahiagora: O senhor passou 8 anos como prefeito de Feira e não modernizou o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). Isso pode prejudicar a cidade em relação a projetos federais como o “Minha Casa Minha Vida” que exige como contrapartida do município um PDDU atualizado?

JR: Não, não tem nada disso. Absolutamente. O Minha Casa Minha Vida está sendo executado em todo o Brasil por empresas privadas. Qualquer construtora pode se inscrever na caixa para construir pelo projeto.

Bahiagora: Existem também no Minha Casa Minha Vida uma parte do projeto que o município também apóia dando um terreno...

JR:(Interrompe) Ninguém está dando! Ninguém deu até agora. Pelo que me consta só está sendo executado pelas construtoras. 

Bahiagora: Sobre o PDDU...

JR: Sim, sobre o PDDU. Veja bem. Feira de Santana tem um plano diretor e nós não criamos nenhum obstáculo pra fazer isso. Quando nós assumimos existia um plano elaborado que estava na câmara municipal que eu mandei buscar de volta em comum acordo com o legislativo que entendeu que o mesmo não estava adequado para ser votado. Nós, por diversas vezes, tentamos levar isso adiante, mas, algumas poucas pessoas diziam que não tinham ocorrido debates. Contudo, existiam diversas atas comprovando que existiram as reuniões e assembléias públicas. Quando a coisa ia andando, outras ações emperravam isso reclamando que não houve divulgação. Tudo era muito divulgado em rádios, televisão, jornais. Houve várias reuniões no Ministério Público que intermediava isso com o objetivo de agilizar isso. Existe um plano elaborado que pode ser discutido e encaminhado pra Câmara, onde se discute mais, a sociedade pode apresentar propostas. Isso é próprio do parlamento.

Bahiagora: E por que nunca aconteceu isso?

JR: Não sei.  Nós nunca conseguimos mandar para a câmara porque toda vez que isso ia acontecer alguma associação ia ao Ministério Público e dizia que não tinha sido debatido. Aí nós mandávamos as atas mostrando o que aconteceu...e o tempo foi passando. O PDDU está aí, praticamente elaborado, pronto pra ser mandado para a Câmara mas nós estamos esperando. Eu não quis fazer uma coisa “goela abaixo”, mas sim que a sociedade se desse por satisfeita, mas infelizmente isso não aconteceu.

Bahiagora: O senhor reconhece alguma falha do seu governo? Algo que realmente o incomoda?

JR:O que eu mais gostei nessa entrevista é que não me perguntaram muito sobre mim (risos). É muito difícil apontar nossos pontos negativos e positivos...

Bahiagora: O PDDU não seria um destes pontos?
JR: Não. Embora digam que eu sou ditador, acho que esta foi uma atitude democrática que visava buscar a compreensão e o entendimento de todos.

Bahiagora: Então o senhor não considera que houve erro seu em relação ao PDDU?

JR: Não.

Bahiagora: O senhor atribui o entrave do PDDU a movimentos políticos possivelmente ligados a estas associações?

JR: Com certeza. 

Bahiagora: E agora, vai ser diferente?

JR : Não sei. Acho que cada cabeça é um mundo. Tarcízio gosta de escutar e ouvir...

Bahiagora: PDDU sai ou não nos 4 anos de Tarcízio?

JR: Parece que o prazo é 2011 para concluir tudo. Não tenho certeza.


 

JUnior escreveu:
Pelo visto vamos ter que aguentar Ze Ronaldo muito tempo ainda. A entrevista foi boa o entrevistado que é ruim.
Lauro Moreira escreveu:
Zé é a salvação da Bahia. José Ronaldo governador 2010
deibson escreveu:
Gostei da entrevista, bem serena e tranquila, e respostas coerentes. Vamos ver o futuro.....
Aramis escreveu:
José Ronaldo foi um bom prefeito so que isso nao significa que sera um bom governador. Zé siga meu conselho e vá ser deputado federal.
Kalui escreveu:
A serenidade de ronaldo contrasta com a insanidade de Tarcizio
Monge escreveu:
Ja pode assumir pois todos mundo ja sabe JR. Gedel governador Ronaldo Vice Senadores Paulo Souto Cesar Borges. Duvido que ganhem de Lula colado em Wagner.
Lorena Amorim escreveu:
Parabéns pela entrevista. Quanto a José Ronaldo, gostaria de saber quando ele andou de ônibus na cidade e quem é o culpado pela falta de merenda nas escolas. Ai ai.
Olavo Nunes escreveu:
ALÉM DE ESTAR DE PIJAMA ESTÁ DE ALZHEIMER . CHEGAR AO PONTO DE SUGERIR COMO BOM CANDIDATO A DEPUTADO O LULINHA. OU É ALZHEIMER OU PIRRAÇA COM A GRAÇA DO PIMENTA.
Vitória Conceição Amaral escreveu:
O ronaldo mentiu com relação ao PDDU, ele orientou o Carlos Lucena a fazer uso de todo o tipo de pressão e chantagem para chutar um projeto goela abaixo e desqualificar o movimento popular. Só que não conseguiram. Se ele for candidato a governador ou senador será bom pois o resto do estado vai conhecer melhor este mentiroso. Nós vamos mostrar a verdade.

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