

Enquanto cientistas praticamente insones buscam enlouquecidos a cura da A (H1N1), mais conhecida entre os leigos como “gripe suína”. Ovos e mais ovos de galinha estão sendo utilizados, em nome da ciência, pelo justo objetivo de evitar uma pandemia, uma tragédia mundial.
Porém, aqui, em nossa pequena grande metrópole, Feira de Santana, uma outra variação do Influenza parece anunciar uma tragédia tão grande quanto a epidemia vinda do México: a gripe de Narciso.
Direto da caixa de Pandora, o pecado capital da vaidade alastra-se assim mesmo, como o Influenza, na nossa já não tão pacata cidade. Agressões, verborragias, poses dignas de Ilha de Caras e incontrolável necessidade de aparecer são os sintomas desta praga que começa a me preocupar.
Creio que não exista vacina de bom senso e muito menos teste do pezinho para averiguar predisposição genética a vaidade exacerbada em possíveis recém-nascidos que futuramente se tornarão adultos sem noção. E tudo isso se potencializa quando os infectados pela gripe de Narciso são pessoas públicas (diferente de populares!), ocupam cargos eletivos ou simplesmente decidem ser a bola da vez de uma monarquia cujos limites ultrapassam o quintal de casa. Nos casos mais crônicos, os doentes surgem com fardos de documentos assinados até pelos descendentes da família Imperial, lhes garantindo sanidade ilibada, uma espécie de atestado público quase equivalente ao “Sir”, da Inglaterra, guardada as (in)devidas proporções.
A necessidade de auto-afirmação nos contaminados por esta gripe é capaz de gerar atos ensandecidos e que nos fazem temer e tremer. Declarações estapafúrdias, e até mesmo dignas dos mais infames milicos, como a declaração de um dos vereadores locais, eleito pelo voto direto, que ameaçou abertamente, entre câmeras e gravadores, outro colega de legislatura, a travar os projetos apresentados pelo mesmo, caso o oposicionista continuasse a “criticar” o prefeito Tarcízio Pimenta. Se uma pessoa acha que um mandato é um fuzil, imaginem só...
Porém, diferente da gripe suína, a gripe de Narciso, que em alguns já foi elevada ao status de síndrome, tem fácil tratamento: gargalhadas. Sim, rir muito. Imagine-se em um espetáculo circense, onde o nariz vermelho dos palhaços lembram uma boa e velha coriza. Ah! A opção “ignorar” também é um ótimo paliativo contra os contaminados e contaminadas. Se algum deles lhe persegue ou tenta depreciar você, ignore. Eles ficarão quietinhos, tentando morder os cotovelos ou no mínimo sairão pedindo arrego a “celebridades” locais que de forma vaga respaldarão tais figuras ilustres.
No mais, só mesmo muito espírito suíno para agüentar tanta baboseira.
Pra mim, por favor, uma porção de torresmos. De preferência, lá na Cidade da Cultura.
Leia Também