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13/8/2009 11:58:40

Desisti e voltei

Assumir a sua culpa é sempre uma árdua tarefa que se espera sempre, primeiro, do vizinho

Daniele Britto

Daniele Britto


daniele@bahiaagora.com.br

Eu tinha desistido de escrever. Depois que o meu diploma passou a valer menos de R$ 1 e que tantas outras coisas impensáveis acabaram acontecendo, o desânimo foi maior do que a fé e o teclado só me atraia para a mera reprodução do factual. Nada de divagar, divergir, discutir e tantos outros verbos da primeira à terceira conjugação que começam com a letra D, de Daniele e significam de uma forma ou de outra, “inconformismo”.

Eu pensei em falar do Sarney, do Renan, da morte espetacularizada do mero mortal Michael, do divórcio litigioso entre Wagner e Colbert, da síndrome de ACM de Geddel, do ringue que deu novo sentido ao Vale-Tudo com os atletas em treinamento intensivo na Câmara de vereadores. E olhe que eles acabaram de sair das férias. Enfim, tantas coisas. Porém, nada, nadinha foi capaz de me motivar. Até a noite de ontem, voltando para casa como faço todos os dias.

Trafegando de carro pelo prolongamento da avenida Maria Quitéria, uma moto com dois homens em cima, passa por cima do canteiro central, onde os pedestres fazem caminhadas ou passeiam, e tenta atravessar a avenida numa atitude irresponsável bem conhecida no trânsito da cidade. Até aí, apenas uma imprudência infeliz, que poderia ter causado um grave acidente. O motorista do carro então reduz a velocidade para que o motoqueiro nada simpático recue sua moto. Levantando os braços, em um gesto comum o motorista tenta fazer o motoqueiro refletir: qual a necessidade disso?

O motoqueiro e seu parceiro demostraram claramente que não gostaram do “incômodo”. Tentaram nos ultrapassar em velocidade mas desistiram e reduziram para deixar bem claro o que pensava. Tirou uma arma de dentro do short como se dissesse: “Ei, aqui você é refém! Eu estou errado mas, sou o certo.” Não reagimos. O poder de comunicação daquele indivíduo valeria uma nova teoria da comunicação. Nenhuma palavra, mas muita, muita informação.

Naqueles poucos segundos de terror eu vi que não deveria me calar. Vi que aquele homem é fruto de tudo o que eu não disse todos esses dias. Fruto do meu silêncio que exita em tranformar-se em verbo. Esta situação vem do Sarney, do Renan, de Wagner, Colbert, do Geddel, do finado ACM, do Lula, da Câmara Municipal, do Prefeito, do Michael Jackson, de mim e nem se esquive, de você também.

Nossa postura privilegiada de educação e noção de civilidade equivale àquela arma. Essa é a nossa justiça. O velho 38, é a dele. A dele, mata. A nossa pode sempre trazer vida, renovo.

Desisti de ficar calada. Quero colaborar para fazer justiça com as minhas próprias mãos - e cérebro. Pode não dar em nada, mas a minha consciência, que é juíza mui severa, será benevolente com o meu possível fracasso.
 

Rafael Velame escreveu:
O que seria de nós meros mortais que não temos um 38 na mão, sem os seus textos? Seja bem vinda, Dani. Dani, Seja bem vinda. rs
Jota Gê escreveu:
Eta que eu tava com saudade desses textos brilhantes! Faça a sua parte garota que eu faço a minha e juntos conseguiremos melhorar o mundo
Eduardo Leite escreveu:
Já tinha cobrado o seu silêncio escrito,porque bem sei que a sua verne não andava calada.Mesmo no silêncio, futucas os que são responsáveis pela lei ´´dos 38``a imbecilidade de todos nós e os verdadeiros semeadores da mistanásia.O crime social, da morte miserável antes do tempo existencial cronologicamente falando.Não há de ser nada, brindemos à sua volta à comunidade dos utópicos sonhadores visceralmente irrecuperáveis.
Zezé Esteves escreveu:
Dani, Estava com saudades das suas verdades. Bom retorno!!
Conceição Pedreira escreveu:
Dani, bom que você voltou!!! Estava sentindo sua falta aqui... Por favor, continue escrevendo, viu? Beijos
Cristóvão escreveu:
"Grandes poderes vem acompanhados de grandes responsabilidades" (Mr. Ben, tio do homem-aranha) Você não pode se furtar a elas, minha cara. Seja mais que bem vinda.
Asa Filho escreveu:
Parece até que estava no forno só foi futucar e a cobra soltou seu rebolado sinuoso... às vezes também me chega o desânimo, mas a cada maldade que cometem lanço minha viola em punho como se fosse um fuzil, parabéns.
Cleber Ferreira escreveu:
Tenho me sentido assim ultimamente, meio sem consolo, sem sentido! por todas estas e outras questões politicas da nossa Bahia e nosso Brasil! Foi bom demais ler seu texto... ele me deu alento, me deu paz e vontade de lutar... vou a luta! vou lutar! Obrigado pelas suas palavras!
Petronius escreveu:
Não hesite em exercitar o seu talento. O seu potencial é maravilhoso.Não pare. Eu gosto de ler os seus trabalhos . Não considere o seu diploma uma inutilidade. Justifique esta conquista e trabalhe duro para ser feliz e útil à sociedade.
Lorena Porto escreveu:
Ótimo texto!!! É mesmo uma situação lamentável. Resta-nos mesmo ir à luta. Parabéns!
André Almeida escreveu:
Parabéns pelo belo texto.! Digno de uma boa reflexão. Pena que a maioria dos nossos polícos não reflitam sobre as coisas do nosso Brasil...No entanto, em concordância com o seu texto, se cada um de nós fizer a sua parte, talvez os nossos netos encontrem um Brasil melhor. Não pare! A Feira de Santana agradece.
Angelo Almeida escreveu:
Show de cidadania!!!
Calibre 12. escreveu:
Oh, naaaoo..voltoouu?..nao me fez falta alguma..
Feliz. escreveu:
Eu, hein?..parece Fred Krueger, Hason...vai e volta sempre...Deuzemais...:-P

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