

Existem verdades que o empirismo da vida, que a pura experiência dispensa qualquer matemática ou filosofias para prová-las.
Um exemplo? Casamento desfeito. Qual o motivo para o fim de um relacionamento, seja ele sólido ou recente? Existem vários: traição, arrependimento, falta de amor, violência. Porém, o motivo geral é a incompatibilidade, uma espécie de polaridade semelhante que faz as partes se repelirem e não mais coexistirem enquanto todo.
E uma sociedade desfeita? Os motivos também são inúmeros: desfalque, desacordo, falta de sinergia entre sócios e, claro, novamente a incompatibilidade.
Eu poderia ficar aqui por dias dissertando sobre tantos outros exemplos que conhecemos muitos bem. Porém, prefiro refletir sobre um assunto intrigante e que ultimamente vem me tirando do sério: qual o motivo que leva certos políticos acharem que somos completamente idiotas?
Quem disse a certa deputada e ex-futuro-deputado que somos incapazes através do empirismo, da experiência e do raciocínio lógico ver o papel torpe o qual esta senhora se presta de comportar-se como o marido infiel que ao invés de acabar com o casamento que não lhe agrada, decide fundar (e afundar) a vulgarmente conhecida filial, na arábica tentativa de mamar em inúmeras camelas?
Nós, povo desinformado e fruto do neoliberalismo que catalisa tal posição podemos não saber ler e ter como dissertação da nossa intelectualidade um polegar azul na alva folha da ignorância. Mesmo assim, entendemos o sentido lato e stricto da palavra incompatibilidade ao observarmos fogo e água, verdade e mentira e tantas outras situações que nos é familiar bem antes da roda ou da guerra de Tróia.
Sabemos muito bem, por exemplo, que o jumento é filho de égua com burro (ou burro fêmea com cavalo) e que o mesmo é estéril e não reproduz descendentes. Conseguimos discernir que aí não existe incompatibilidade, mas sim um limite na cadeia reprodutiva.
Limite. Este também é um conceito que muitos líderes custam a acreditar que possuímos e que o mesmo apenas se manifesta em quadriênios, diante da urna eletrônica.
Ledo engano. Não somos jumentos e não toleraremos éguas e burros tentando nos colocar cabresto e duvidar que nosso coice pode acabar com o empacado desenvolvimento político que insiste em girar em círculos nos currais do poder.
Hermafroditismo político não dá pra tolerar. Ou lá, ou cá. Ou em lugar nenhum.
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