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5/5/2010 18:41:02

Violência na Bahia: é preciso solução

A violência na Bahia fugiu do controle das autoridades nos últimos anos

Fonte: Bahiagora

A disputa política para as eleições de outubro já começou há muito tempo. Políticos andam trocando farpas via internet.  Sites jornalísticos, blogs pessoais, e até o microblog twitter, são as ferramentas utilizadas pelos governantes e pelos candidatos.
Nos últimos tempos o tema preferido de alguns deles é o aumento do índice da violência na Bahia.  O Governo do Estado responsabiliza o governo passado, olhando como se a solução estivesse num retrovisor, sem efetivamente apresentar soluções. Não são apresentados, na verdade, projetos que a curto, médio ou mesmo longo prazo, resolvam o problema da violência no estado.
O deputado estadual Zé Neto (PT), por exemplo, anunciou “grandes” avanços do atual governo, citando a aquisição de viaturas e aumento de efetivo policial, mas admitiu que a situação da segurança pública é difícil, justificando, inclusive, os altos índices, por conta das drogas.
O que a população não entende é por que o governo se preocupa tanto com operações como a deflagrada semana passada, no “Feiraguai” (comércio tido como informal de produtos importados), em Feira de Santana, e deixa de lado uma situação tão grave como o aumento dos índices de violência.
Há um raciocínio lógico nisso tudo: se a culpa é das drogas, o que o governo faz para combatê-la? Por que não há nenhuma ação concreta da inteligência da polícia contra drogas? Por que, mesmo sabendo onde ficam localizadas chamadas “bocas de fumo”, a polícia não fecha o cerco e combate o crime?
Números, estatísticas são disparados por todos os lados, mas a verdade é que a violência na Bahia fugiu do controle das autoridades nos últimos anos. O nosso Estado, hoje, apresenta uma assustadora taxa de homicídios, de 32,58 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, muito similar ao Rio de Janeiro, e três vezes superior a São Paulo. Em Salvador o índice superou a Baixada Fluminense, um dos lugares mais perigosos do Brasil, e está com a taxa similar às cidades mais violentas do mundo, com 73,06 homicídios por 100 mil habitantes.
Nunca antes na Bahia se ouvia falar em ônibus queimado, balas perdidas, festas patrocinadas pelas drogas, seqüestros relâmpagos. Assaltos a bancos em pacatas cidades do interior? A Bahia voltou ao tempo do cangaço, sem a romantização que se deu por conta da história. A violência passou a ser rotina em todos os noticiários, e o crime, de fato, vem tomando conta do Estado.
Há quem profecie a piora da situação, considerando as ações nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que nos últimos anos vem se intensificando grandes investimentos em inteligência e projeto de convívio pacífico entre comunidades e polícia, e que, com a aproximação da copa 2014 e olimpíadas 2016, o crime tende a ser reprimido, “jogando” o problema para os estados menos preparados para o enfrentamento dessa realidade. Foi-se o tempo onde se dizia que “bandido na Bahia não faz carreira”.
O fato de quem, ou mesmo do que é a culpa, não importa. Precisamos de soluções práticas, reais, ações que devolvam aos baianos a liberdade de ir e vir, de viver sem medo, livre da violência e que a demagogia dê lugar ao enfrentamento do problema, pois qualquer um de nós seres normais que não anda com seguranças particulares, verdadeiros guarda-costas da vergonha, já pagamos caro demais em impostos para nos ser imposto o regime do medo.
 

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